25 August 2006

rentrée

Geme o restolho, triste e solitário
a embalar a noite escura e fria
e a perder-se no olhar da ventania
que canta ao tom do velho campanário
Geme o restolho, preso de saudade
esquecido, enlouquecido, dominado
escondido entre as sombras do montado
sem forças e sem cor e sem vontade
Geme o restolho, a transpirar de chuva
nos campos que a ceifeira mutilou
dormindo em velhos sonhos que sonhou
na alma a mágoa enorme, intensa, aguda
Mas é preciso morrer e nascer de novo
semear no pó e voltar a colher
há que ser trigo, depois ser restolho
há que penar para aprender a viver
e a vida não é existir sem mais nada
a vida não é dia sim, dia não
é feita em cada entrega alucinada
para receber daquilo que aumenta o coração

(restolho, Mafalda Veiga)

2 comentários:

obrigada pelas palvras...:)

é realmente verdade, a felicidade está dentro de nós, não adianta buscar fora...:)

poxa, e muito lindo o poema do lado...obrigada por ele tb, palavras lindas devem ser escutadas, lidas ou ditas diariamente...:)

bjos

Olá!
Obrigada por trazerem de volta este lindo poema, esta linda canção!!
Bjos :o)

Carla